
Em 2019, Luiza deixou Itaocara e mudou-se para Campos dos Goytacazes cheia de sonhos e planos. O caminho, porém, não foi linear: vieram as incertezas, a pandemia, greves, e as constantes idas e vindas entre as duas cidades. Ao longo desse percurso, enfrentou perdas dolorosas — entre elas o avô e a avó Eunice, que tanto celebrou sua aprovação, e também animais que marcaram sua vida.
Hoje, aos 24 anos, Luiza enxerga a arquitetura como algo que vai muito além de traços e plantas. Para ela, arquitetura é vida: é sobre sentimentos e histórias que se revelam em cada espaço. É sobre realizar o sonho de muitas pessoas, transformar vidas, acolher trajetórias e dar forma ao que parecia intangível.
Um TFG que nasce do afeto
Seu Trabalho Final de Graduação (TFG) reflete esse olhar humano e sensível: o Centro Animal Rafitar, um espaço de acolhimento, tratamento e cuidado 24 horas para animais no município de Itaocara (RJ). O nome do projeto carrega significados especiais — uma junção de Rafa (animal homenageado), Ita (pedra, em tupi-guarani), ar (leveza, movimento, fluidez) e fitar (olhar-se mutuamente) — e revela o conceito “Olhares que falam”.
O projeto defende a ideia de que toda vida importa. Em sua concepção, o Centro Animal Rafitar propõe não apenas instalações para atendimento veterinário, mas também espaços de convivência, reabilitação e adoção, pensados para promover bem-estar e integração com a comunidade local.
Ao agradecer a orientadora, a banca e a família — especialmente os pais, tios e primos que estiveram ao seu lado — Luiza resume sua trajetória em duas palavras: gratidão e propósito. Ela afirma que a arquitetura que escolheu é, acima de tudo, feita de afeto: por pessoas, por histórias e pelas vidas que transitam pelos espaços que projetamos.
Com seu trabalho, Luiza espera inspirar profissionais e estudantes a pensar a arquitetura como instrumento de cuidado social: um ofício que projeta espaços, mas sobretudo constrói possibilidades de cuidado e troca entre seres humanos e animais.
