Aos 17 anos, Luiza Batista ainda não sabia o que queria ser quando crescesse. Foi durante o curso técnico em Edificações no Instituto Federal Fluminense (IFF) que o destino começou a desenhar seu caminho. Um estágio em uma empresa de arquitetura foi o ponto de virada: ali, ela se encontrou profissionalmente e, sem imaginar o impacto daquela escolha, prestou o vestibular para Arquitetura e Urbanismo no IFF Campos — dando início à jornada que mudaria sua vida.

Em 2019, Luiza deixou Itaocara e mudou-se para Campos dos Goytacazes cheia de sonhos e planos. O caminho, porém, não foi linear: vieram as incertezas, a pandemia, greves, e as constantes idas e vindas entre as duas cidades. Ao longo desse percurso, enfrentou perdas dolorosas — entre elas o avô e a avó Eunice, que tanto celebrou sua aprovação, e também animais que marcaram sua vida.

“Os animais nos ensinam sobre amor, respeito e lealdade — e projetar um espaço para acolhê-los é um sonho que nasceu em meu coração.”

Hoje, aos 24 anos, Luiza enxerga a arquitetura como algo que vai muito além de traços e plantas. Para ela, arquitetura é vida: é sobre sentimentos e histórias que se revelam em cada espaço. É sobre realizar o sonho de muitas pessoas, transformar vidas, acolher trajetórias e dar forma ao que parecia intangível.

Um TFG que nasce do afeto

Seu Trabalho Final de Graduação (TFG) reflete esse olhar humano e sensível: o Centro Animal Rafitar, um espaço de acolhimento, tratamento e cuidado 24 horas para animais no município de Itaocara (RJ). O nome do projeto carrega significados especiais — uma junção de Rafa (animal homenageado), Ita (pedra, em tupi-guarani), ar (leveza, movimento, fluidez) e fitar (olhar-se mutuamente) — e revela o conceito “Olhares que falam”.

O projeto defende a ideia de que toda vida importa. Em sua concepção, o Centro Animal Rafitar propõe não apenas instalações para atendimento veterinário, mas também espaços de convivência, reabilitação e adoção, pensados para promover bem-estar e integração com a comunidade local.

DedicaçãoLuiza dedica seu trabalho aos avós — especialmente à avó Eunice — e a seus “filhos de quatro patas”: Rafa, Fred, Nick, Lupi, Samuca e Zeca. Alguns deles já se foram, outros seguem ao seu lado, mas todos deixaram lições fundamentais sobre amor incondicional.

Ao agradecer a orientadora, a banca e a família — especialmente os pais, tios e primos que estiveram ao seu lado — Luiza resume sua trajetória em duas palavras: gratidão e propósito. Ela afirma que a arquitetura que escolheu é, acima de tudo, feita de afeto: por pessoas, por histórias e pelas vidas que transitam pelos espaços que projetamos.

Com seu trabalho, Luiza espera inspirar profissionais e estudantes a pensar a arquitetura como instrumento de cuidado social: um ofício que projeta espaços, mas sobretudo constrói possibilidades de cuidado e troca entre seres humanos e animais.

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© Redação — Material produzido a partir de relato pessoal da protagonista.